terça-feira, 9 de maio de 2017

Os mistérios do beco da rua Azul

O nome da rua era Azul porque ao anoitecer as luzes que a iluminavam eram de cor azul. Além da cor azul, era uma rua cheia de mistérios. Não se via ninguém perambulando após anoitecer. Uns diziam que era por causa da cor, outros, por causa do beco. O beco da rua Azul, descambava para um matagal sem fim. Muitas histórias foram contadas sobre os mistérios desse beco, se são fábulas ou não, ninguém sabe.
Certa vez caminhando pela rua Azul em plena luz do dia, Sancho não entendera o porquê desse nome. Parou num boteco e pediu uma cerveja. Enquanto bebia, indagava; - por que o nome da rua é Azul?
- Ai seu moço, não se sabe ao certo, uns dizem que é porque as luzes da rua são azul, outros dizem que é por causa do beco que antigamente quando anoitecia, a luz da lua refletia na parede daquele muro lá de trás e deixava tudo azul, e outros dizem que é por causa dos mistérios do beco. Mas saber mesmo não sei não.
- Que mistérios são esses?
- Ora o senhor nunca ouviu falar não da mulher que rondava o beco? Ela quando falava tinha os dentes tudo azul... diziam que na verdade era ela que iluminava a rua com essa cor. Ela já deu cabo de muita gente nesse beco. Quando eu era menino eu me lascava de medo dela.
- Mas você a conheceu?
- Eu não! Mas o povo falava né... aí era anoitecer e eu nem pisava fora de casa.
- Ah, mas isso deve ser apenas um desses causos que se contam por aí. Isso é história...
- Né não seu moço... e olha nem aconselho o senhor a demorar de ir embora, já está anoitecendo, daqui a pouco as luzes dos postes se acendem e vai ficar tudo azul.
- Essa eu quero ver! Me dê mais uma cerveja que vou é esperar anoitecer.
E assim que anoiteceu Sancho pagou a conta e saiu andando pela rua Azul em direção ao beco. Ao chegar lá, ficou parado, acendeu um cigarro, depois outro, caminhou mais um pouco e quando avistou o matagal resolveu voltar. Passou novamente pelo bar, já estava fechado. Então foi embora.
No dia seguinte, ao final da tarde, Sancho curioso, voltou ao bar, pediu uma cerveja e perguntou ao dono do boteco se ele poderia lhe contar o que fazia a mulher de dentes azul do beco da rua Azul.
- Olha seu moço, saber mesmo eu não sei não...eu nunca vi nem ouvi nada, mas o povo fala né...então se o povo fala tá falado.



Tatiane Alcantara
Enviado por Tatiane Alcantara em 30/01/2017
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domingo, 29 de janeiro de 2017

Devaneios VIII - Sobre a falta de tempo



Quando pensamos em lugares que gostaríamos de conhecer, logo vem a mente cidades da Europa ou EUA, natural, afinal pelo que vimos em filmes, documentários fotos etc, há lugares belíssimos e eu obviamente que tenho muita vontade de ir. Contudo, após um pequeno passeio que durou apenas um dia pude perceber que nosso lugar também é muito belo. Temos lugares lindíssimos e que jamais exploramos ou por falta de informação ou por falta de oportunidade, no meu caso, foi oportunidade e tempo. Quando penso no tempo, vejo que na verdade isso pode ser uma desculpa para justificar aquilo que não conseguimos fazer por simplesmente não tentar. É muito fácil dizer: não tenho tempo! Não é bem assim, administrar o tempo não é uma tarefa tão difícil. É possível sim reservar um tempinho para também conhecer lugares que nunca imaginamos existir e que está tão perto. Ser turista no nosso lugar não está com nada. 

Travessia Madre de Deus - Ilha de Paranama

Créditos da imagem: Tatty Alcantara

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Tristeza e tinta fresca



Eu queria entender o conceito de belo do novo prefeito de São Paulo João Dória. Ele está mandando apagar todos os grafites pintando os muros de cinza em seu Projeto Cidade Linda. Uma coisa é pichação outra é grafite.
É como diz Marisa Monte em sua música Gentileza do disco Memórias, crônicas e declarações de amor em referência à poesia do Profeta Gentileza que foram apagadas dos muros e viadutos da cidade do Rio de Janeiro e que infelizmente agora está acontecendo em São Paulo.


Gentileza - Marisa Monte

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
A palavra no muro ficou coberta de tinta

Apagaram tudo
Pintaram tudo de cinza
Só ficou no muro tristeza e tinta fresca

Nós que passamos apressados
Pelas ruas da cidade
Merecemos ler as letras e as palavras de gentileza

Por isso eu pergunto a você no mundo
Se é mais inteligente o livro ou a sabedoria

O mundo é uma escola
A vida é um circo
Amor palavra que liberta
Já dizia um profeta

Crédito da imagem: google imagem

sábado, 21 de janeiro de 2017

Devaneios VII


Em essência somos todos iguais,
humanos, desumanos, materiais
mas quando nos deparamos com gente bacana,
tudo fica imensamente bom
daí só sai coisa boa, a risada é garantida,
amizade fica colorida,
a cerveja está sempre gelada
bota pimenta nesse molho
joga o tempero na salada

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

É o que dizem


No Brasil não há guerra.
Aqui é um ótimo lugar para viver.
Nos jornais, notícias de chacinas, motins e mortes por assalto ou nas estradas, mas aqui não tem guerra...
Na TV, a notícia de que um pai mata a ex-mulher, o filho e várias outras pessoas da mesma família em plena noite de réveillon é exaustivamente transmitida em todos os canais e telejornais, no Amazonas rebelião: mais de 60 mortes, corpos amontoados, esquartejados, reflexo de um sistema prisional que não funciona, mas tudo bem, no Brasil não tem guerra. É o que dizem.
Todos os dias em todos os cantos deste Brasil, um João aqui, uma Maria acolá perde a vida, seja no trânsito, na calçada, escola, no morro ou na orla, seja bandido ou mocinho, vidas se perdem todos os dias,  mas o Brasil é um país tranquilo, aqui não tem guerra.
O Brasil é um país mergulhado em corrupção, direitos cada vez mais estão sendo usurpados, onde a desigualdade que estava caminhando a passos lentos volta a mostrar a cara e a dizer: recolha-se à sua insignificância!
Mas por que se preocupar com isso? Aqui não tem guerra, é um ótimo lugar para se viver. É o que dizem. 



Os mistérios do beco da rua Azul

O nome da rua era Azul porque ao anoitecer as luzes que a iluminavam eram de cor azul. Além da cor azul, era uma rua cheia de mistérios. Não...